1 de abr. de 2009

Mariana - Capítulo 3

Antes de tudo, aquelas palavras básicas: obrigado por lerem e por favor, comentem, bons comentários atraem mais leitores. Não tenham medo de expressar suas opiniões :D.
Amor de Verdade

Dia 4 – quinta-feira.
Estava eu um dia sem nada para fazer (afinal, é isso que se deve fazer nas férias: nada), então resolvi ouvir alguma rádio qualquer, coisa que não faço muito. Após procurar durante uns dois anos, demorar uns sete meses para ajustar o volume e mais umas semanas até deitar no sofá (a preguiça durante as férias é sagrada), achei uma música bonita, do Justin Timberlake, chamada Summer Love. O que me chamou a atenção, pra falar a verdade, foi o refrão:

I can't wait to fall in love with you
You can't wait to fall in love with me
This just can't be summer love, you'll see
This just can't be summer love (L-O-V-E)

Ouvindo isso, imediatamente peguei meu diário (sim, isto é um diário) e li novamente as coisas que havia escrito. Pensei: só a encontrei duas vezes na minha vida durante um ano, nunca falei com ela, e também não estou apaixonado por ela. Cheguei à conclusão de que eu estava atrás era de uma boa história. Mas como fazer uma história sobre alguém que você nunca sabe quando encontrar? E se esse amor fosse apenas de verão?
Dia 5 – sexta-feira.
Recebi um telefonema dele, coisa meio rara nas férias já que há pessoas que não sabem aproveitá-la e acabam viajando, saindo e fazendo coisas do tipo. Ele me disse que viu uma garota, muito parecida com ela, no caminho pra minha casa.
- No caminho aqui pra casa?
- Sim, agora, por favor, atenda a porta.
Ele estava na minha porta, com cara de impaciente. Pensei em recomendar a campainha na próxima vez, mas não era hora para piadinhas. O assunto era sério, pois se tratava de amor, e logo eu, poeta das duas da manhã, costumo dizer que amor é amor, e vice-versa. Ao contar pra ele que também havia visto ela pelas redondezas, ele rapidamente se encheu de esperanças, sentiu vontade de sair por ai atrás dela, mas avisei que não poderia ser assim.
Resolvemos então visitar alguns lugares conhecidos próximos aqui, como shoppings e parques, e fazer alguns cursos – gratuitos – sobre tudo quanto é coisa possível. O resultado começou a vir logo naquele dia. Enquanto eu me inscrevia para a aula de libertação espiritual (era só um nome chique para algo que eu passei a chamar de aula de hippie), ele aguardava pacientemente. Como a inscrição demorava, ele resolveu dar uma volta lá fora (não entendi bem esse lá fora, pois estávamos num campo aberto). Nesse meio tempo ela passou num ônibus que ia pra um parque temático muito famoso que eu nunca ouvi falar.
Na verdade, o parque em si é mais um clube, apenas sócios vão, e acontecem festas quinzenais muito emocionantes (só se falam delas). Assim que nós terminamos de nos inscrever, pegamos um ônibus (ele pegou, eu só fui atrás) e nos tornamos sócios do clube também (hoje em dia as coisas mais simples têm burocracia, enquanto as mais difíceis, como entrar para clubes exclusivos e etc., estão muito facilitadas). Infelizmente perdemos aquela festa, mas em duas semanas haveria outra, e ele mal podia esperar.
Quando estávamos saindo, ela passou. Ele foi direto nela, dessa vez sem rodeios, e disse uma coisa emocionante:
- Oi
- Oi...
- Você é sócia do clube?
- Sou sim, e você?
- Acabei de me inscrever. Ouvi dizer que as festas daqui são boas, mas não tinha certeza, então resolvi perguntar pra alguém que conhece elas na pratica.
- Bom, as festas são realmente boas, mas ficar sozinha nelas não dá pé. No começo ela é bem agitada, pro pessoal cansar legal, mas depois começa a tocar música lenta, dependendo do tema, e ai eu fico boiando. Na real, a festa ainda ta rolando, mas eu não nasci pra segurar vela, sabe.
- Eu não vim nessa porque ainda não era sócio, mas na próxima eu to aqui... Você gostaria de ir comigo?
- Eu aceito. Te vejo aqui, as 16:00 daqui a...
- Duas semanas – falaram junto, sincronizados.
Quando ele voltou me contou tudo isso, e eu quase caí pra trás. Sorte minha que hoje em dia a tecnologia é muito alta... Eu tava com o próximo capítulo prontinho na cabeça, mas não tinha papel nem caneta, então peguei o celular e fiz uma coisa que até hoje nem acreditei:
- Mãe, será que você pode vir trazer um caderninho e uma caneta aqui no Clube Nota A?